quarta-feira, 7 de julho de 2010

O inverno monástico, rico e pesado da Chanel haute couture

Havia algo monástico, imperial, ou quem sabe até medieval no desfile de altacostura da Chanel. Ao contrário da polidez polar do verão passado, o inverno agora carrega ares mais pesados, até sujos, numa imagem levemente obscura.



Primeiro vêm os tons terrosos, marrons, vermelhos escuros, marinhos, beges e por aí vai. Os tecidos – lãs encorpadas, tweeds sofisticados, veludos e peles – que desempenharam papel fundamental na construção de proporção elaborada com a qual Karl Lagerfeld trabalhou nesta temporada. Mas não se deixe enganar, o equilíbrio deste inverno 2010 de haute coutre traz um equilíbrio magnífico. Algo que só um verdadeiro mestre seria capaz de fazer.

Aliado a essa imagem ligeiramente carregada vinha uma extrema riqueza, onde bordados de joias (pérolas, cristais e ouro) se alinhavam em vestidos alongados ainda que com blocos estruturados. Assim vinham boa parte dos casacos com a parte de cima bem marcada – quase que quadrada, mangas volumosas até o cotovelo – combinados com saias amplas no joelho ou meia-perna. Leve e pesado, curto e longo tudo numa peça só, com as mais sofisticadas e complexas técnicas de construção e ornamentação.

Se parece um pouco demais, o rigor de Kar Lagerfeld transforma seu desfile de altacostura para Chanel numa verdadeira parada sensorial, onde cada look parece uma evolução do anterior ainda que mantendo um claro fio condutor.

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